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13 Abril de 2019 | 05h52 - Actualizado em 13 Abril de 2019 | 05h52

Sudão: Manifestantes comemoram após demissão do chefe da junta militar

Cartum - No dia seguinte da destituição de Omar Al-Bashir do poder no Sudão, o chefe da junta militar de transição que dirigia o país renunciou sexta-feira e nomeou outro militar para sucedê-lo, uma decisão que foi recebida com alegria pelos manifestantes em Cartum.

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"Em dois dias derrubamos dois presidentes" e "conseguimos" eram alguns dos lemas que os manifestantes gritavam em coro, balançando bandeiras do Sudão.

Antes, os militares no poder haviam negado ter dado um golpe de Estado, numa tentativa de tranquilizar a comunidade internacional e os manifestantes.

O chefe do conselho militar de transição, Awad Ibn Ouf, anunciou num discurso à nação transmitido pela televisão pública que renunciou ao seu cargo, e nomeou em seu lugar Abdel Fattah Al-Burhan Abdelrahman, inspector-geral das Forças Armadas.

Esta declaração foi recebida com gritos de júbilo na capital sudanesa.

"O papel do conselho militar é proteger a segurança e a estabilidade do país", havia declarado pouco antes o chefe do comité político da junta, o tenente-general Omar Zinelabidine.

"Não é um golpe de Estado militar, mas uma tomada de posição a favor do povo", acrescentou.

"Iniciaremos um diálogo com os partidos políticos para estudar como governar o Sudão. Haverá um governo civil e não interviremos em sua composição", disse, repetindo as garantias formuladas antes pelos chefes militares.

Os militares tinham afirmado que Al-Bashir, que dirigiu o país com mão de ferro durante 30 anos, está detido, mas que não será entregue ao exterior. O Tribunal Penal Internacional tem um pedido de prisão ao ex-presidente por crimes de guerra.

Após semanas de manifestações pedindo a sua saída, Omar Al-Bashir foi destituído na quinta-feira pelo exército, que estabeleceu um Conselho Militar de Transição vigente durante dois anos.

O grupo de coordenação que organiza os protestos pediu aos militares que "transfiram o poder a um governo civil de transição".

Caso contrário, "vamos manter as concentrações em frente ao quartel-general das Forças Armadas e em outras cidades", advertiram num comunicado.

Em protesto pelas decisões dos militares, na madrugada desta sexta-feira os manifestantes passaram a sexta noite consecutiva diante do quartel-general das Forças Armadas em Cartum, apesar do toque de recolher.

Por ocasião de uma grande manifestação pela oração dessa sexta, milhares de mulheres e homens vestidos de branco compareceram ao quartel-general sob um sol escaldante, segundo testemunhas.

Mas esse entusiasmo durou pouco e os manifestantes chamaram a continuar o protesto, que teve início com a decisão do governo em 19 de Dezembro de triplicar o preço do pão em plena crise económica.

Al-Bashir tentou reprimir os protestos pela força antes de estabelecer em 22 de Fevereiro o estado de emergência em todo o país.

A polícia indicou na sexta-feira à noite que 16 pessoas morreram baleadas nas últimas 48 horas. Um balanço oficial dava conta, até agora, de 49 mortos desde o início dos protestos, em 19 de Dezembro.

Uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU sobre o Sudão foi realizada nesta sexta-feira a portas fechadas, a pedido de seis capitais, incluindo Washington, Paris e Londres. Foi encerrada após uma hora de discussão, sem emitir uma resolução, segundo diplomatas.

Os militares serão "garantidores de um governo civil", reiterou pela manhã o embaixador do Sudão na ONU, Yasir Abdelsalam.

No Sudão do Sul, que conquistou a independência em 2011 após 22 anos de conflito, Riek Machar, líder rebelde oposto ao poder, disse que espera que a destituição de Al-Bashir não afecte o processo de paz em curso no seu país, em guerra civil desde 2013.

O espaço aéreo do Sudão foi fechado na quinta-feira por 24 horas, e as fronteiras terrestres até nova ordem.

Um cessar-fogo foi anunciado em todo o país, especialmente em Darfur (oeste), onde um conflito causou mais de 300.000 mortes desde 2003, segundo a ONU.

Um dos líderes rebeldes de Darfur rejeitou na quinta-feira esta "revolução palaciana" e pediu "um governo civil de transição".

Assuntos Política  

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