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02 Janeiro de 2019 | 15h11 - Actualizado em 02 Janeiro de 2019 | 15h32

Luanda volta à rotina com menos lixo

Luanda - A capital do país voltou à rotina nesta quarta-feira, depois de oito dias intensos, marcados pelas festas de Natal e Ano Novo. Desde as primeiras horas, um dado chama atenção de quem circula pela cidade: grande parte das ruas está sem acúmulo de lixo.

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Retrato da Cidade de Luanda após Quadra Festiva

Foto: Clemente dos Santos

Retrato da Cidade de Luanda após Quadra Festiva

Foto: Clemente dos Santos

Essa realidade contrasta com a registada nas últimas semanas de Novembro e na primeira semana de Dezembro, em que as operadoras de limpeza de Luanda reduziram os serviços de recolha de resíduos sólidos, devido à falta de pagamentos das autoridades locais.

Mensalmente, o Governo de Luanda arrecada 100 milhões de kwanzas, que as autoridades consideram insuficientes para arcar com as despesas das empresas de limpeza.

A diminuição dos serviços das operadoras fez crescer a quantidade de lixo no interior dos bairros e, no final do ano passado, o lixo chegou a ser notório à beira das estradas.

Para inverter o quadro, foi aprovado um novo sistema de recolha de lixo, em Dezembro último, que estabelece novas taxas de limpeza para os munícipes.

Assim, estão a ser cobradas taxas inferiores às praticadas até ao ano de 2017, agora fixadas em 2.500 kwanzas para a zona urbana e 1500 kwanzas para as áreas sub-urbanas.

A entrada em vigor do novo sistema produziu resultados positivos na última quadra festiva.

Depois da passagem de ano, algumas artérias da cidade, principalmente do centro urbano, ficaram livres de lixo. As operadoras fazem a recolha dos resíduos com normalidade.

"Em relação ao ano de 2018, houve uma redução na produção de lixo. Estamos a trabalhar com meios próprios", expressou Vicente Pedro, trabalhador da operadora Rangol.

No entanto, no município de Luanda, propriamente no distrito da Maianga, ainda há contentores a transbordar, mesmo depois da recolha de lixo efectuada no primeiro dia do ano.

Segundo alguns munícipes, a situação esteve pior durante as festas de Natal e Ano Novo.

"Na última semana de Dezembro, a operadora Rangol desenvolveu um trabalho eficaz, o que demonstra que, se continuar assim, o ano será bom", expressou o munícipe José Fernandes.

Apesar dos esforços, Madalena Van-Dúnen, do mesmo distrito, apela às autoridades para continuarem a trabalhar na melhoria do saneamento básico na zona, já que, apontou, há charcos que têm provocado a reprodução de mosquitos e outros insectos prejudiciais à saúde humana.

Uma das zonas com mais acúmulo de lixo, nesse primeiro dia de trabalho, é o município de Viana, apesar dos trabalhos de recolha feitos pela operadora Nova Ambiental.

A equipa de reportagem da Angop encontrou nos bairros do Capalanga e no Grafanil amontoados de lixo. Em alguns casos, os resíduos sólidos chegam a dificultar a circulação rodoviária.

"As pessoas vêm de outras ruas jogar lixo aqui. Nós ainda tentamos manter o nosso lixo em casa, mas não podemos controlar a acção de terceiros", lamentou Valdemar André, residente no Capalanga.

Por sua vez, Paulina Manuel, do mesmo bairro, referiu que a operadora só recolhe o lixo duas vezes por mês, o que não ajuda em nada no saneamento básico.

Luanda, cidade com mais de sete milhões de habitantes, produz seis mil toneladas de lixo por dia.

Isso corresponde a 0,65 kilos diários por pessoa.

O serviço de recolha de resíduos sólidos é assegurado por mais de quatro operadoras, entre as quais a Elisal, Queiroz Galvão, Rangol e Nova Ambiental.

Estas quatro operadoras continuam a trabalhar, com homens e máquinas, para que, nos próximos dias, haja melhorias substanciais na imagem da capital do país.

O mesmo cenário é registado na cidade de Saurimo (Lunda Sul), localizada no centro da região leste de Angola, que acordou limpa, neste segundo dia de 2019.

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