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12 Fevereiro de 2018 | 21h56 - Actualizado em 12 Fevereiro de 2018 | 22h15

Mercado de divisas funciona debilmente

Luanda - O mercado angolano de divisas sempre esteve em estruturação e funcionou com sérias debilidades, quer em períodos áureos da economia nacional, quer em momentos difíceis, afirmou hoje, em Luanda, o economista Gaspar Júnior.

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Segundo o especialista, as debilidades do mercado de divisas prendem-se com as componentes inexistentes na estrutura do mercado financeiro real, como o sistema bancário e a Bolsa da Dívida e Valores de Angola (Bodiva), que funciona de forma atípica.

"A verdadeira Bolsa de Valores não deveria ter como principal componente de negociação os títulos da dívida pública, mas sim negociar outros produtos financeiros, como, por exemplo, a bolsa de futuros da agricultura, visando impulsionar a actividade agrícola no país", referiu.

Gaspar Júnior disse que, se houvesse um mercado de futuros dos produtos agrícolas, ainda que fosse em menor escala, provavelmente a actividade agrícola teria crescido com maior sustentabilidade do que actualmente.

A título de exemplo, o especialista apontou nomes de países africanos como a Etiópia e Eritreia, que se potenciaram com os futuros do café e do chá, tendo registado um crescimento económico considerável.

Este exemplo, considerou, serve como um indicador típico que demonstra que os mercados financeiros ou as bolsas de valores podem funcionar sem necessariamente ter como referência as características do funcionamento das bolsas tradicionais de Nova Iorque (EUA), Tóquio (Japão), Madrid (Espanha) e outras.    

A informalidade do mercado de câmbio

Gaspar Júnior considerou o mercado informal de divisas em Angola como um processo cíclico e muito activo, que começou praticamente em 1991/92, com o surgimento das primeiras kinguilas activas, nas ruas de Luanda.

No seu entender, a análise do mercado informal de câmbio não deve ser feita somente na perspectiva da “Kinguila”, por ser o agente mais fragilizado/débil deste processo, mas sim em elementos mais fortes e estruturantes (fornecedores de divisas), que concorrem essencialmente na existência desta prática.

"Historicamente, em Angola, a taxa de câmbio praticamente foi determinada pelo mercado informal, um problema que deve ser resolvido de forma profunda e equilibrada, fazendo um diagnóstico sério dos fundamentos da informalidade do mercado de divisas, sem criar perturbações sociais como o desemprego e a delinquência", afirmou.

Quanto à quantidade de divisas que circulam no mercado informal, Gaspar Júnior afirmou que a moeda estrangeira aparece nas mãos das kinguilas por via de alguns mecanismos dos bancos comerciais ou através dos operadores económicos que detêm a posse destas divisas, porque os agentes do mercado informal não participam nos leilões do banco central para obterem estes valores monetários.

Apesar do cepticismo do regime cambial adoptado pelo BNA, o especialista acredita na possibilidade desta medida concretizar o objectivo de proteger as reservas líquidas internacionais, no curto prazo, mas defende a necessidade de se apostar rapidamente na produção de bens e potenciar os serviços locais, para evitar os constantes problemas do mercado financeiro nacional. 

Gaspar Júnior é docente da faculdade de Economia da Universidade Agostinho e as suas investigações estão voltadas, fundamentalmente, para o mercado informal de divisas e as suas perturbações na economia angolana.

Assuntos Economia  

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