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21 Dezembro de 2016 | 12h55 - Actualizado em 23 Dezembro de 2016 | 05h38

Barragem do Gove e situação actual

Huambo - Cento e cinquenta quilómetros de distância separam a cidade do Huambo do Aproveitamento Hidroeléctrico do Gove, mais conhecido como Barragem do Gove, no município da Caála.

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A barragem do Gove conta com a força motriz da juventude angolana

Foto: Tarcisio Vilela

Aproveitamento hidrelétrico do Gove

Foto: Tarcisio Vilela

(Por Adriano Chisselele)

A marcha até à infra-estrutura hidroeléctrica é feita sem constrangimento. A via está asfaltada e em boas condições para a circulação. Mais conhecida como Barragem do Gove, começou por ser projectada em 1969, isso no tempo da administração colonial. Em contrapartida, teve várias paragens, decorrentes da situação política e conflito armado que o país viveu.

Num esforço do Governo angolano, a barragem foi reabilitada e inaugurada no dia 22 de Agosto de 2012 pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. O Executivo investiu mais de 279 milhões de dólares para a ingente tarefa de pô-la a funcionar.

O Aproveitamento Hidroeléctrico do Gove comporta a Barragem, a Casa de Força e a Subestação. A Barragem é a estrutura de pedra para o barramento e acumulação de água (espaço este denominado albufeira).

A casa de força é onde estão as máquinas que transformam a energia mecânica para eléctrica, sendo que, na subestação, é onde se eleva o nível de tensão de 11 mil watts para 220 mil watts.

Estado actual da Barragem do Gove

A barragem do Gove situa-se no rio Cunene e tem uma capacidade de 60 megawatts, com três unidades geradoras que têm uma potência de 20 megawatts cada.

Segundo o engenheiro Pedro António, chefe de Departamento de Manutenção do Aproveitamento Hidroeléctrico do Gove, a infra-estrutura tem uma tensão de 11 mil watts, numa frequência da rede de 50 hertz, da rede nacional.

Inaugurada em 2012, a barragem continua a produzir, fornecendo energia quer à província do Huambo, sobretudo na cidade da Caála e na cidade do Huambo, quer ao Bié, em particular no Cuito.

Conforme o engenheiro Pedro António, 60 porcento da sua capacidade instalada é o que se produz actualmente, em função da recuperação do nível da albufeira, que já andou com os seus níveis de água baixo.

“Nós ainda não estamos a produzir a 100 porcento, face à recuperação do nível da albufeira. Estamos entre 40 e 45 megawatts. Essa é a ponta que já atingimos. De lá para cá, houve um período de seca (2013-2014), em que não choveu muito e não conseguimos recuperar o nível da albufeira, daí que se aplica um programa de exploração especial, a fim de ser recuperada”, explicou.

Em 2015, choveu consideravelmente e houve a recuperação substancial da albufeira, mas, como o período chuvoso, a nível da região, termina em Abril e, sabendo que de Abril para Setembro é considerado o período seco (não há chuva), têm aplicado o regime de exploração em que mantêm a produção 24 sobre 24 horas, com a ajuda da central térmica, de modo a continuar a recuperação do nível da albufeira.

“A nível da PRODEL (Empresa Pública de Produção de Electricidade), na província do Huambo, existe um mix de produção. Não é só o Aproveitamento Hidroeléctrico do Gove, mas também temos a Central Térmica do Bairro Benfica que, através de um sincronismo, quer a nossa produção, quer a produção a nível da térmica, se somam e conseguimos abastecer a população”, explicou.

Quanto maior é o nível da albufeira, maior é a capacidade de produção das unidades geradoras, pois, para se produzir energia, através da barragem, a água é fundamental. “Tecnicamente, as máquinas não têm problemas. Temos as três unidades geradoras disponíveis, daí que vamos depender deste plano de exploração especial, que estamos a aplicar a nível do Gove, para a recuperação da albufeira. Se chover bastante e recuperarmos o nível da albufeira, aí sim, iríamos produzir os 60 megawatts a 100 porcento”, pontualizou.

Com o nível da albufeira em pleno, a Barragem do Gove distribui de 30 a 35 megawatts de energia eléctrica para a província do Huambo e seis a sete megawatts para o Bié. 

A Central Térmica, situada no bairro Benfica, na cidade do Huambo, tem uma capacidade de gerar 15 megawatts de corrente eléctrica. 

A energia é um dos vectores essenciais para o desenvolvimento e é pensando nisso que o Ministério da Energia e Águas vem acompanhando uma série de projectos energéticos do Executivo. É o caso do Aproveitamento Hidroeléctrico da Laúca, na província do Cuanza-Norte, e tantas outras centrais hidroeléctricas projectadas para o país.

De acordo com o engenheiro Pedro António, no futuro não se poderá depender só dos aproveitamentos hidroeléctricos, mas também de outras fontes de energia, como é o caso do ciclo combinado (produção de energia através do gás liquefeito).

“Não podemos depender só da água, mas também de outras fontes. Quando estiver a faltar a fonte da água, temos o ciclo combinado. Quando estivermos com défice no ciclo combinado, temos as centrais térmicas. Logo, com a construção de vários aproveitamentos e outras fontes de produção, vai-se interligar o país a nível da rede nacional de transportes de energia eléctrica”, focalizou.

Juventude angolana toma conta do Gove

Inteligência e trabalho são os “itens” da actividade laboral desenvolvida pelos jovens angolanos no Aproveitamento Hidroeléctrico do Gove. Saídos das escolas euniversidades públicas e privadas do país, em pouco tempo tomaram contacto com a realidade objectiva das suas profissões.

Primeiro, com o apoio de expatriados, com realce para os brasileiros, e segundo com a mente e mãos à obra, executam dia-a-dia e, com paixão, aquilo que antes só encontravam patente nos livros.

A priori, alguns foram recrutados pelo então Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza (GAMEK) e, em virtude disso, passaram pela Central Hidroeléctrica de Capanda, na província de Malanje. Muitas das experiências adquiridas em Capanda  são usadas no Aproveitamento Hidroeléctrico do Gove.

“Desta feita, depois da formação, passámos por uma das maiores centrais, que é Capanda, onde tomámos o primeiro contacto com os equipamentos electrónicos e coadunámos a teoria à prática. Ao passarmos para o Gove, onde acompanhámos o acondicionamento da barragem, tivemos um grande contacto com a equipa de montagem de profissionais estrangeiros, maioritariamente brasileiros, que nos passaram o conhecimento que hoje estamos a usar neste Aproveitamento Hidroeléctrico”, revelou, visivelmente satisfeito,  José Caetano, chefe do Departamento de Operação do Gove.  

O Gove, para José, é o ponto de satisfação, porque é nesta infra-estrutura onde tem conseguido exercer tudo quanto aprendeu em cerca de 10 anos de formação.

Num total de 70 trabalhadores, com idade média a rondar os 26 anos, os profissionais em questão são engenheiros, bacharéis e técnicos médios formados nas áreas de Informática, Manutenção Mecânica, Eléctrica e Electrónica.

“O pessoal técnico é simplesmente angolano. A maior parte dos trabalhadores do Gove acompanhou a construção da central. Logo, recuperaram o máximo de conhecimentos da equipa montadora dos equipamentos”, destacou o engenheiro Pedro António, chefe do Departamento e Manutenção.

Desta feita, ao logo de quatro anos, somente profissionais nacionais têm estado a manejar os equipamento da barragem do Gove. O Ministério da Energia e Águas, como órgão reitor das políticas energéticas, reforça o conhecimento dos técnicos, com recurso à promoção de treinamentos e capacitações regulares, para a actualização e transmissão de novas práticas da actividade energética, devido à dinâmica actual do desenvolvimento tecnológico.

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