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19 Junho de 2017 | 05h45 - Actualizado em 19 Junho de 2017 | 07h37

Colômbia: Chefe de Estado defende paz após atentado em shopping de Bogotá

Bogotá - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, defendeu neste domingo a paz no país, um dia depois do atentado com explosivo em Bogotá que deixou três mortos, entre eles uma francesa, e ofereceu uma recompensa de 33 mil dólares pela captura dos responsáveis.

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Juan Manuel Santos - Presidente da Colômbia

Foto: BRENDAN SMIALOWSKI/Arquivo

“Com a paz, com a reconciliação, avançamos muito para garantir a tranquilidade dos colombianos", disse Santos após uma reunião com o comando da força pública na Casa Nariño.

O presidente, vencedor do Nobel da Paz em 2016, afirmou: "Não iremos permitir que o que foi alcançado até agora seja freado por alguns extremistas, covardes, ou quem não deseja a reconciliação do povo colombiano".

Às 17 horas locais de domingo (18), um artefacto explodiu no banheiro feminino do segundo andar do shopping Andino, matando a francesa Julie Huynh, 23 anos, e duas colombianas, de 31 e 41 anos.

"A equipa de investigação trabalha com três hipóteses concretas, e não irei mencioná-las, para não prejudicar a investigação", disse Santos.

A maioria dos nove feridos na explosão, entre eles a mãe de Julie (confirmou à AFP o embaixador da França, Gautier Mignot), já receberam alta, à excepção de uma mulher que " continua em cuidado intensivo", detalhou o presidente.

O governante ofereceu uma recompensa de 100 milhões de pesos (cerca de 33 mil dólares) a quem " dê informações que possam ajudar a capturar os responsáveis".

Por enquanto nenhum grupo reivindicou o ataque.

O atentado ocorreu antes de a guerrilha das Farc iniciar, na próxima terça-feira, a terceira e última fase da entrega de armas prevista no acordo de paz assinado em Novembro com o governo.

"A Colômbia enfrentou o terrorismo com muito êxito no passado, sabemos como enfrentá-lo", expressou o presidente da República.

Nas últimas duas semanas, a guerrilha entregou 60 porcento do seu arsenal à missão das Nações Unidas na Colômbia, encarregada do processo. É um passo-chave para que sete mil combatentes iniciem a sua transição para um movimento político e a vida civil.

Mas há o temor de que o atentado no shopping possa prejudicar o processo de paz.

O analista Víctor De Currea-Lugo considera pouco provável que o ataque tenha sido obra das guerrilhas Farc ou ELN, esta última a única em actividade no país.

"Existem grupos armados de extrema direita de linha paramilitar que foram responsáveis pelo assassinato de líderes sociais e acções contrárias à paz", assinalou o professor da Universidade Nacional à AFP.

De Currea-Lugo descartou que esteja ameaçado o processo de paz, "que tem uma dinâmica própria", afirmou.

Tanto o chefe das Farc, Rodrigo Londoño (Timochenko), quanto o ELN condenaram o atentado e alertaram para aqueles que querem " bloquear os caminhos da paz" ou prejudicar o processo de negociação.

O governo e o ELN iniciaram um diálogo de paz em Fevereiro, sem ter sido acordado um cessar-fogo.

A Zona Rosa, onde fica o shopping, cercado de restaurantes, bares e boates frequentados por turistas, retomava a normalidade.

Convidado por seu filho Esteban, Santos escolheu celebrar o Dia dos Pais num dos restaurantes do Andino. "Me perguntou onde eu queria ir, vamos ao centro Andino, aqui almoçamos. E (gostaria de) dizer às pessoas que não há nenhuma possibilidade de o terrorismo fazer o povo colombiano se curvar", disse.

O presidente andou pelo shopping e prestou homenagem às vítimas, assim como fez María Isabel Cerón, 40 anos, que levou um buquê de flores. "Dói muito saber que pessoas estão morrendo na esquina por causa do terrorismo", disse.

A jovem vítima francesa era voluntária da ONG Proyectar Sin Fronteras, que trabalha " com jovens deslocados" numa área popular do sul de Bogotá, informou à AFP o embaixador Mignot. Ela estava prestes a concluir o voluntariado e retornar à França, contou.

                        

Santos anunciou neste domingo que cancelou uma viagem a Portugal, para liderar as investigações do atentado no shopping, mas assinalou que irá manter uma visita a França.

"Tomei a decisão de cancelar a minha viagem a Lisboa para estar à frente destas investigações nestes três dias cruciais", disse o presidente após uma reunião com os comandos da força pública.

"Os primeiros dias depois de um atentado como o de domingo são essenciais para encaminhar a investigação e obter avanços importantes na identificação dos responsáveis", assinalou.

O presidente anunciou que viajará na próxima terça-feira a Paris, que, juntamente com Lisboa, fazia parte de um giro programado em que ele deve se reunir com o homólogo da França, Emmanuel Macron, e a sua equipa, com o objetivo de "avançar em nossa agenda de cooperação".

Santos participará em Paris da abertura da segunda parte do Ano França-Colômbia, um conjunto de manifestações culturais no território francês.

O presidente colombiano também expressou solidariedade às vítimas do incêndio florestal em Portugal, que deixou mais de 60 mortos.

O atentado de domingo foi o segundo com gravidade ocorrido este ano na capital colombiana. Em 19 de Fevereiro, uma explosão perto da Praça dos Touros deixou um polícia morto e 25 feridos, sendo dois civis, um ataque atribuído ao ELN.

A Colômbia vive um conflito armado de mais de meio século envolvendo guerrilheiros, paramilitares e agentes do Estado, que já deixou 260 mil mortos, 60 mil desaparecidos e 7,1 milhões de deslocados.

Assuntos Crime  

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