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12 Janeiro de 2018 | 12h36 - Actualizado em 12 Janeiro de 2018 | 13h16

Merkel alcança acordo para formar governo na Alemanha

Berlim - A chanceler Angela Merkel e os social-democratas alcançaram um acordo de princípio nesta sexta-feira para formar um governo que permita que a Alemanha saia de um bloqueio político sem precedentes, depois de mais de 24 horas de negociações.

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Chanceler Alemã, Ângela Merkel

Foto: Thomas Kienzle

Uma deputada da formação política da chanceler, Dorothee Bär, confirmou o acordo postando uma foto do documento no Twitter.
               
Segundo o texto, o acordo prevê, entre outras medidas, limitar o número de refugiados a 200 mil por ano. Também, é citado um compromisso de reforçar a zona euro, o que faz parte das exigências marcadas pelos social-democratas do SPD.
               
"Se aceitarmos entrar no governo, será com a condição de reforçar a Europa", declarou, na véspera, o líder social-democrata, Martin Schultz.
               
O acordo terá agora de ser submetido para a sua aprovação às instâncias dirigentes dos três partidos envolvidos, os democrata-cristãos (CDU/CSU) e, principalmente o SPD, que entrou contrariado nas negociações depois de uma humilhante derrota nas legislativas de setembro.
               
Este compromisso pode permitir que a primeira economia europeia saia de três meses e meio de bloqueio político. E Merkel, de 63 anos, assegura assim a sua sobrevivência política, com um possível quarto mandato depois de 12 anos no poder.
               
Depois do fracasso em Novembro para formar uma coligação maioritária com os ecologistas e os liberais, a chanceler ficou sem margem de erro se quisesse conservar as rédeas do país. E havia se declarado disposta a "encontrar um compromisso construtivo" com o SPD, mas sem ultrapassar algumas linhas vermelhas.
                     
Mas nada ainda é definitivo. Por parte dos social-democratas, a decisão de entrar num novo governo de coligação com os conservadores ainda deve receber a luz verde dos delegados do partido durante um congresso extraordinário previsto para 21 de Janeiro e cujo desenlace é incerto.
               
Depois, se conseguirem o sim, começarão as negociações detalhadas sobre um programa de coligação.
               
No caso de haver consenso, o novo executivo será investido no final de Março, mas os sócios europeus da Alemanha já se mostram impacientes.
               
Os social-democratas haviam adoptado num primeiro momento ficar na oposição.
               
Mas a pressão do Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, um peso pesado do SPD que quer evitar novas eleições que beneficiariam a ultradireita, obrigaram Schulz a mudar de opinião.
               
Depois, ante a dificuldade de se chegar a um acordo entre democrata-cristãos e social-democratas, Steinmeier ligou para os dois grupos determinando que superassem as suas diferenças em nome do interesse nacional.
               
Segundo vários meios de comunicação alemães, as negociações de longas horas giraram em torno de questões fiscais e política migratória.                

A chanceler alemã jamais teve de negociar por tanto tempo sobre um tema, assinalou o jornal Die Welt: as negociações para a manutenção da Grécia na zona euro ou o Tratado de Paz de Minsk para a Ucrânia oriental duraram apenas 17 horas.     
               
As negociações acontecem num contexto desfavorável tanto para os democrata-cristãos como para os social-democratas, ambos punidos pelos eleitores nas legislativas de Setembro, que foram marcadas pela entrada no parlamento da extrema-direita do país.
               
Os dois somam uma pequena maioria de votos e Merkel obteve uma vitória com um resultado historicamente baixo.
               
Uma maioria de alemães, 56%, acredita que a chanceler deixará o cargo antes do final do seu novo e eventual mandato, segundo uma pesquisa.
               
Os conservadores e o SPD, que já governaram juntos em duas ocasiões durante os últimos 12 anos, prometeram "uma nova política" adaptada à época actual, apesar das suas grandes diferenças sobre determinados assuntos.
               
Os de direita, em particular a CSU, que começou a sua campanha para as eleições regionais de final de ano, exigiam um endurecimento da política migratória e uma redução limitada de impostos para todos.
               
O SPD defendia, por sua parte, uma flexibilização do reagrupamento familiar para os refugiados, investimentos em edução e em infra-estruturas e um maior apio às classes média e desfavorecida.

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