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22 Maio de 2020 | 20h01 - Actualizado em 22 Maio de 2020 | 19h13

Covid-19: Interrupção de vacinação coloca em risco milhões de crianças

Genebra - A UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertaram hoje para o impacto da interrupção na administração de vacinas, devido à Covid-19, colocando em risco milhões de crianças em todo o mundo.

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Logotipo da UNICEF

Foto: Divulgação

O alerta foi deixado hoje na habitual conferência de imprensa ‘online’ da OMS sobre o novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, na qual participou também Henrietta Fore, directora-executiva da UNICEF.

Tedros Ghebreyesus, director-geral da OMS, começou por alertar que há no mundo mais de cinco milhões de pessoas infectadas com covid-19 e que é preciso garantir os serviços essenciais de saúde, e disse que a OMS e parceiros estão empenhados em impedir que a doença interrompa a vacinação das crianças.

“Os serviços de imunização são essenciais e não devem ser suspensos, suspender a vacinação é uma ameaça à vida”, disse o responsável.

Henrietta Fore acrescentou que a Covid-19 está a tornar-se uma crise de direitos humanos infantis, afectando três em cada quatro crianças, e disse que estão encerradas escolas em 135 países, o que deixa sem aulas 1,2 mil milhões de crianças.

Citando um estudo no qual participou a UNICEF, Henrietta Fore disse que, com o avanço da pandemia de Covid-19, nos próximos seis meses mais de seis mil crianças podem morrer em cada dia por causas que podiam ser prevenidas.

Depois, acrescentou, há 80 milhões de crianças com menos de um ano que correm risco de vida porque os serviços de vacinação foram interrompidos em 68 países.

De acordo com a responsável, as campanhas de vacinação do sarampo foram interrompidas em 27 países e as da pólio em 38 países, com “consequências que podem ser mortais”.

Henrietta Fore disse que os países interromperam as vacinações devido ao distanciamento social, devido à superlotação dos centros de saúde, porque os profissionais de saúde foram desviados para tratar pacientes da Covid-19, por medo das famílias levarem os filhos aos locais de vacina, e também pela interrupção das cadeias de abastecimento de vacinas.

“Não podemos deixar que a nossa luta contra uma doença afecte a nossa luta contra outras doenças. Não podemos trocar uma pandemia mortal por outra. Não podemos retroceder décadas de avanços. Precisamos de retomar as vacinas”, disse.

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