Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Lazer e Cultura

22 Abril de 2020 | 18h41 - Actualizado em 22 Abril de 2020 | 18h44

Livro - Entre o bem e o mal

Luanda - O homem, ao longo da sua existência, nem sempre esteve acompanhado por um livro, mas a partir do momento em que o fez, a sua forma de vivenciar e interpretar os fenómenos levou-o a grandes revoluções, quer científicas quer culturais.

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Livro, um dos maiores bens do homem (foto arquivo)

Foto: António Escrivão

Por Esmael da Purificação

Com isto, algumas vezes, o mundo evoluiu rapidamente, mas noutras, fê-lo lentamente para o estágio actual.

O livro passou a ser um instrumento perigoso ou benfeitor, sobretudo aqueles de elevada intelectualidade, em que os pensamentos dos autores reflectiam as vontades das massas ou elites.

Alguns deles, devido a contradições latentes, originavam (e ainda provocam) interpretações díspares.

O maior exemplo é a Bíblia, o eixo dos cismas (não é a única razão), que levou ao Grande Cisma, que resultou na separação da Igreja Católica Romana (Ocidente) e a Igreja Ortodoxa (Oriente); no surgimento da Bíblia do Rei Jaime, um dos livros mais importantes para o desenvolvimento da cultura e língua inglesas, dando origem à Igreja Anglicana; na Reforma Protestante, de Lutero, e nas Testemunhas de Jeová, em oposição à Santa Trindade.

Do ponto de vista ideológico, existem as obras de Karl Marx, que influenciaram gerações de uma determinada época a encarar o capitalismo com antagonismo, com realce para o “Manifesto Comunista” (muito seguido para a instauração de regimes de esquerda).

Nessa obra, Marx previa que a expansão global do capitalismo se tornaria a principal fonte de instabilidade do sistema internacional, como demonstrariam crises financeiras nos séculos XIX,  XX e agora em pleno século XXI.

Em “O Capital”, a jóia do pensamento filósofo do alemão, apesar de boa parte das suas ideias tornarem-se ultrapassadas, há pontos pertinentes e actuais. É o exemplo do conceito mais-valia (vulgarmente utilizado e quase sempre fora do contexto).

“O capital tende a concentrar-se e centralizar-se em poucas mãos e, em contrapartida, isso leva ao desemprego e a uma depreciação dos salários dos trabalhadores”.

Isto é visível ainda hoje na maior parte dos países do mundo. (Mais-valia no seu mais elevado estágio, e não ganhos sociais como comummente se propala).

Saltando ao “Príncipe”, de Maquiavel, uma cartilha para políticos ou funcionários de ambições obscuras, adequado ou ultrapassado agora pelas 48 Leis do Poder, seria interessante falar de livros e autores que estiveram na base do pensamento anarquista, uma ideologia que surgiu em oposição ao socialismo e capitalismo e precursor do movimento sindical.   

Michael Bakunin e Pierre-Joseph Proudhon destacam-se entre os demais. O primeiro por ser a figura central no desenvolvimento das ideias e do activismo anarquista moderno.

Nas suas obras “Deus e o Estado” e “A comuna de Paris e a Ideia do Estado”, o pensador realça o colectivismo, a insurreição em massa, e a revolta espontânea na conquista da liberdade e de uma sociedade sem classes. Influenciou o movimento sindical, sobretudo em Espanha, onde aconteceu a maior revolução social anarquista.

Já Pierre-Joseph Proudhon, com as suas publicações “O Que é a Propriedade”, “Contradições Económicas” e “A Capacidade Política das Classes Trabalhadoras”, mostrou como o mundo anarquista poderia funcionar. Em suas teses sobre “mutualismo” e “federalismo “ expõe as bases quer para o anarquismo individual quer para o social.

No entanto, nem sempre ao mundo foram dados livros que pensavam (de forma errada ou certa, de acordo com os contextos) para o bem comum.

Houve uns tantos que só trouxeram o mal, tais como “Minha Luta (Mein Kampf)”, de Adolf Hitler, que exalta o racismo e anti-semitismo; “Homem Delinquente”, de Cesare Lombroso, que defende que certas pessoas nasceram para ser criminosas, segundo características físicas, como nariz adunco e testa fina, traços típicos dos judeus; e “A Inferioridade Intelectual da Mulher”, de Carl Moebius.

De uma lista dos Piores Livros de sempre, elaborada pelo Portal Raízes, constam também “O Martelo das Bruxas (Malleus Maleficarum)”, de Jacob Sprenger, um manual de caça às bruxas que levou muita gente à fogueira - muito influente entre as igrejas católica e protestante; “Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas”, de Joseph Gobineau - referência obrigatória para os que exaltam a superioridade de raças-; e “O Indivíduo Contra o Estado”, de Herbert Spencer, uma defesa de topo para o capitalismo selvagem no século XIX, principalmente nos EUA.

Também fazem parte a “Sedução dos Inocentes”; a “Democracia e Educação”; os “Protocolos do Sábio Sião”, um tratado de pseudo-sábios judeus para um esquema de dominação mundial, e “Meu Filho, Meu Tesouro”, um trabalho científico, que, provavelmente, levou à morte muitas crianças, devido ao conselho do autor, Benjamin Spock, para que os bebés dormissem sob seus estômagos, isto é, de barriga para baixo.

Quinta-feira, 23 de Abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro, a razão de toda esta argumentação em torno das publicações do homem para o benefício ou não da humanidade.

Neste contexto, deve-se realçar que o homem não criou apenas obras de cunho científico ou filosófico. Elaborou igualmente trabalhos literários de extrema beleza lírica, bem como dramas mais amargurados.

Destes, elegeríamos a “Ilíada e a Odisseia”, de Homero. Diz-se que Luís de Camões, em seus “Lusíadas”, inspirou-se neste autor clássico.

“As Mil e Uma Noites”, tal como a Bíblia, contem vários contos de igual número de autores, desde a Pérsia até a Índia antiga: “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas - até hoje adaptada pelo cinema -; “Os Miseráveis”, de Victor Hugo; “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes; “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare; “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski;  “Guerra e Paz”, de Liev Tolstói; “1984”, de George Orwell ;  “Oliver Twist”, de Charles Dickens; “As Aventuras de Tom Sawyer”, de Mark Twain; “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway;  “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald, e “A Metamorfose”, de Franz Kafka.

Esta não é uma lista acabada, pois há outros livros de um conteúdo literário transcendental que influenciaram gerações de criadores e leitores, assim como a maneira de fazer cinema.

As obras enumeradas aqui e as omissas estão associadas a gerações que elevaram o seu intelecto, suas percepções sobre Deus, a natureza, o universo e suas contradições, cultivando a leitura constante. Para Angola, poderíamos exaltar a Sagrada Esperança, de Agostinho Neto. 

Seriam aquelas as gerações perfeitas?

A tese seria muito arrojada e polémica, mas, embora sem rigor científico, há evidências de que os homens que mais lêem desempenham melhor as funções que exigem intelectualidade mais apurada.

A televisão e a internet, na forma de Rede Social, terão sido um duro golpe ao livro, sobretudo às obras literárias.

Cabe aos governos dos países adoptarem políticas que motivem e premeiem a existência do livro, físico ou virtual, (atenção, só há livro se existir leitor), para que a intelectualidade resista à imposição da mente “artesã” das Redes Sociais.

Atenta a este fenómeno, a Unesco instituiu, em 1995, o 23 de Abril como Dia Mundial do Livro, com a finalidade de chamar atenção para a sua importância como bem cultural essencial para o desenvolvimento da literacia e para o desenvolvimento económico.

Origem da data

A Unesco instituiu em 1995 o Dia Mundial do Livro. A data foi escolhida por ser um dia importante para a literatura mundial, pois foi a 23 de Abril de 1616 que faleceu Miguel de Cervantes e a 23 de Abril de 1899 que nasceu Vladimir Nabokov. O 23 de Abril é também recordado como o dia em que nasceu e morreu o famoso escritor inglês William Shakespeare.

Atividades

No Dia Mundial do Livro há exaltação de livros e da leitura, organizado por associações culturais, escolas, universidades e outras entidades. Neste dia, algumas livrarias promovem compras de livros com descontos. Em Angola, infelizmente, há pouca livrarias e acções do género.

Uma sugestão de celebração é partilhar as suas obras preferidas com os outros. Outra, é começar a ler um novo livro

Assuntos Efeméride   Literatura  

Leia também