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04 Janeiro de 2018 | 17h39 - Actualizado em 04 Janeiro de 2018 | 23h10

País homenageia mártires da repressão colonial

Luanda - O país homenageou nesta quinta-feira os angolanos assassinados pelo exército colonial português, na Baixa de Cassanje, província de Malanje, a 4 de Janeiro de 1961.

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Bandeira da República de Angola

Foto: Francisco Miudo

Moxico

No quadro dessas celebrações, o governador provincial do Moxico, Gonçalves Muandumba, destacou a coragem dos angolanos e exaltou a luta desses patriotas a favor da autodeterminação do país.

Gonçalves Muandumba afirmou que a determinação conduziu à libertação contra a opressão e ao alcance da independência.

Lunda Sul

Na capital provincial da Lunda Sul, Saurimo, os antigos combatentes defenderam a publicação em livro dos acontecimentos da Baixa de Cassanje.

A intenção é levar de forma detalhada esse contimento para as novas gerações.

Ainda na Lunda Sul, o director provincial dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Ginito João Zeca, defendeu mais divulgação da data, para “eternizar” os acontecimentos da Baixa de Cassanje.

Cunene

No Cunene, província mais ao Sul do país, o director para os Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Graciano Kesosange, considerou fundamental que essa franja da sociedade saía do anonimato e beneficie mais dos projectos de reintegração socio-economico em curso.

Para o efeito, devem ser cadastrados, a fim de beneficiarem-se do subsídio de pensão e outros direitos, numa província em que estão registados dois mil e 217 antigos combatentes e veteranos da Pátria.

Malanje

Já em Malanje foi destacado o sacrifício dos mártires da repressão colonial, assim como o combate à injustiça social e às desigualdades.

O vice-governador de Malanje para o sector económico, político e social, Domingos Eduardo, considera fundamental que o 4 de Janeiro sirva de inspiração aos angolanos.

Igualmente no quadro da repressão colonial na Baixa de Cassanje, o presidente da FNLA, Lucas Ngonda, defendeu a construção de um memorial aos heróis do 4 de Janeiro.

Lucas Ngonda entende que o memorial deve ser erguido na localidade de Teka-Dia-Kinda, além de ter defendido que o 4 de Janeiro seja feriado nacional.

Por outro lado, o padre da paróquia do Sagrado Coração de Jesus, Monsenhor Inácio Gonçalves, defendeu a justa valorização e tratamento digno dos sobreviventes do massacre da Baixa de Cassanje, por serem protagonistas da grande revolta que determinou  o alcance da Independência Nacional.

"É necessário reconhecer a bravura e determinação destes patriotas, que não olharam aos bens materiais para pôr termo a humilhação e exploração a que eram vítimas", afirmou.

Cabinda

Em Cabinda, o governador Eugénio Laborinho homenageou os mártires da repressão colonial com a deposição de uma coroa de flores no busto de primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto.

Numa palestra sobre a data, a prelectora Odete da Cruz afirmou que o 4 de Janeiro impulsionou os angolanos na luta para a independência nacional.

Benguela

Em Benguela, a vice-governadora provincial para o sector político, social e económico, Deolinda Valiangula, afirmou que a revolta da Baixa de Cassanje despertou a consciência dos angolanos para a independência.

A responsável falava no acto provincial das comemorações do 57º aniversário dos mártires da repressão colonial, que decorreu no município benguelense da Baía Farta.

A 4 de Janeiro de 1961 o regime colonial português bombardeou milhares de camponeses da zona da Baixa de Cassanje, nordeste do país.

A violência ocorreu num contexto de greve dos trabalhadores de uma fazenda de algodão da empresa luso-belga, Cotonang.

Cuanza Norte

No Cuanza-Norte, a vice-governadora da provincial para o sector político, social e económico, Leonor da Silva de Lima e Cruz, destacou o papel dos mártires da repreensão colonial da Baixa de Cassanje na conquista da Independência Nacional.

“A acção dos mártires da Baixa de Cassanje despertou a consciência de muitos nacionalistas, contribuindo para a generalização das manifestações anti-colonial em todo o território nacional”, sublinhou, acrescentando que tal acontecimento serviu de fonte de inspiração para a conquista da Independência Nacional.

Leonor de Lima e Cruz salientou ainda, que o sacrifício consentido pelos combatentes da luta pela libertação nacional, serviu de mola impulsionadora para a reconstrução de Angola independente.

Na ocasião, o presidente do Conselho Municipal da Juventude, Matias Gunga Matias, ao ler uma mensagem inspirada pelos mártires da Baixa de Cassanje, os jovens da Banga comprometeram-se em cerrar fileiras em torno das gerações mais adultas, a fim de contribuírem para a defesa das aspirações “mais nobres” do povo angolano.

Na mensagem, os jovens acrescentam que desta forma vão poder continuar exaltar os compatriotas que perderam as suas vidas pela causa da liberdade, tendo por isso, apelado a juventude, no sentido de conhecerem os factos históricos do país, visando cimentar o espírito patriótico, que imbuiu os percursores da Independência Nacional.

Instituída pela lei nº 10/11, de 16 de Fevereiro, como data de celebração nacional, o 4 de Janeiro relembra as vítimas dos massacres ocorridos em 1961, na região da Baixa de Cassanje, província de Malanje, onde milhares de populares indefesos foram barbaramente assassinados fruto dos bombardeamos da aviação militar portuguesa com o recurso das bombas de extermínio em massa conhecidas por Nepalm por terem reivindicado melhores condições de vida e trabalho.

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