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03 Abril de 2019 | 10h23 - Actualizado em 03 Abril de 2019 | 11h12

Dezassete anos depois, Angola caminha para consolidação da democracia

Luanda - A 4 de Abril assinala-se em Angola os 17 anos dos acordos de paz, que deram ao país as bases para a pacificação entre angolanos que se digladiaram em quase três décadas e a consolidação da democracia.

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Um dos monumentos à paz em Angola (foto arquivo)

Foto: David Dias

Por Simão Marcos

Por ter custado tantos anos de guerra, vidas humanas e causando mutilações e subdesenvolvimento, a reconciliação nacional deve ser cultivada todos os dias com actos e atenção.

Analistas consideram a paz o segundo maior ganho do país, depois da independência, razão pela qual deve ser conservada para que todos angolanos, independentemente do pensamento e das cores partidárias, possam viver em Angola em harmonia.

A paz em Angola é uma conquista que exigiu esforços de actores nacionais e estrangeiros, num contexto político adverso, marcado por interesses económicos profundos.

A estabilidade político-militar resulta de um duro, difícil e demorado processo negocial, que só a 4 de Abril de 2002 se tornou real e consistente.

A guerra trouxe drásticos resultados económicos, sociais, políticos e humanitários. Dados oficiais apontam para mais de 500 mil mortos, mais de um milhão de deslocados, milhares de órfãos e viúvos, milhares de infra-estruturas destruídas.

Em dezassete anos de paz, Angola ainda se debate com vários problemas. Mais de um terço da população vive na linha da pobreza, segundo o Censo Geral de 2014.

A taxa de desemprego é alta, rondando os 20% em 2015, e os jovens são os mais afectados. Além disso, apenas 35% dos angolanos têm acesso ao fornecimento de energia eléctrica, por exemplo.

Mesmo assim, depois do 4 de Abril de 2002, Angola deu saltos significativos em direcção ao progresso. O que se construiu ou se reabilitou ao longo deste período contribuiu para que milhões de angolanos, de Cabinda ao Cunene, pudessem viver melhor, embora haja muito para fazer.

Angola é um país de grandes oportunidades. Muitos angolanos vão criando negócios de diversa natureza para que se tenha uma produção diversificada.

Os empresários angolanos, ou potenciais empresários, devem acreditar que é possível fazerem bons negócios em Angola.

O 4 de Abril é uma data em que todos os angolanos devem reflectir sobre o que fazer para que o país continue a crescer, com vista ao desenvolvimento. Só o desenvolvimento dá qualidade de vida aos cidadãos.

Do inicio da guerra de libertação à paz

Entre 1975 e 2002, os protagonistas da libertação nacional e da guerra civil sentaram-se à mesa, sob os auspícios da comunidade internacional e rubricaram quatro instrumentos jurídicos, entre acordos, protocolos e memorandos, para "precipitar" o calar das armas.

Os esforços negociais visavam pôr fim a quase três décadas de uma guerra, que pode ser dividida em três períodos de grandes combates - 1975-1991, 1992-1994 e 1998-2002, de acordo com Christine Messiant, sociólogo e estudioso de assuntos africanos.

A busca pela paz, estabilidade e concórdia entre os angolanos iniciou-se no período da Guerra Fria e na véspera da conquista da

Independência Nacional, em 1975, envolvendo três movimentos de libertação nacional, nomeadamente, FNLA, MPLA e UNITA. 

À volta de um ambiente de efervescência, marcado pela conquista da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, os movimentos de libertação conduziram o país à conquista da liberdade. Aí, a falta de consensos levou ao caos nas matas.

A guerra em Angola começou num contexto político de divisionismo no mundo e com dois blocos, liderados pelos Estados Unidos da América e pela antiga União Soviética.

Segundo Christine Messiant, "de 1975 a 1989, Angola viu-se no caminho de interesses estrangeiros, regionais e globais, e a importância ideológica e estratégica do conflito civil inserido no conflito regional havia-se tornado a força motriz do conflito".

Os primeiros focos de instabilidade surgiram após a Independência Nacional, quando, em 1975, começou a longa trajectória negocial que conheceu vários fracassos.

Ávidos por alcançar a meta de um sonho que já durava 500 anos, os movimentos de libertação partiram profundamente divididos, ao contrário de Moçambique e da Guiné-Bissau, quando o regime português se propôs aceitar descolonizar a ex-colónia.

O quadro de divisão retardou a formalização da Independência e levou a que, a 5 de Janeiro de 1975, no Quénia, sob mediação do presidente Jomo Kenyatta, os três movimentos organizassem uma "Plataforma de Entendimento", na Cimeira de Mombaça. Só alguns dias depois surgiu o primeiro acordo.

Com a Independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975, começaram dois processos que se condicionaram mutuamente. A guerra entre os três movimentos começou, uma vez que a FNLA e, sobretudo, a UNITA não se conformaram nem com a sua derrota militar, nem com a exclusão do sistema político.

Esta guerra durou até 2002 e acabou com a morte, em combate, do líder da UNITA, Jonas Savimbi, a 22 de Fevereiro de 2002.

Na sequência, a 4 de Abril do mesmo ano, assinou-se em Luanda o Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka, entre o Governo angolano e a UNITA.

O documento, assinado pelo ex-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas, general Armando da Cruz Neto e pelo então responsável do Alto Comando das Forças Militares da Unita, Geraldo Abreu Muengo "Kamorteiro", marcando o fim de quase 30 anos de conflito armado fratricida.

Assuntos Efeméride   Paz  

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