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11 Agosto de 2019 | 20h10 - Actualizado em 12 Agosto de 2019 | 13h13

Embaixador prevê cooperação intensa com Ghana

Luanda - O embaixador de Angola na República do Ghana, Augusto da Silva Cunha, considerou, em entrevista exclusiva à ANGOP, frutífera a visita efectuada pelo Presidente daquele país, de 08 a 09 de Agosto, porque permitiu relançar as bases para a efectiva cooperação económica.

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Embaixador de Angola na República do Ghana, Augusto da Silva Cunha, em entrevista à Angop

Foto: Rosário dos Santos

Nana Dankwa Akufo-Addo cumpriu uma visita histórica de 48 horas (primeira de um Chefe de Estado do Ghana a Angola), que resultou na assinatura de três acordos de cooperação, dos quais um relativo à supressão de vistos em passaportes diplomáticos e de serviço.

Durante as conversações, os dois Governos rubricaram outros instrumentos jurídicos, nos domínios da Educação e de relançamento da Comissão Bilateral de Cooperação.  

Acordaram em cooperar nos domínios do Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação, Aviação, Pesca, Aquicultura, Promoção de Investimentos e de Exportações, Imigração, Alimentação e Agricultura, Petróleo, Gás, Energia e Turismo, através da troca de informações e experiências, incluindo a promoção de boas práticas agrícolas.

No quadro da visita, propuseram-se implementar programas conjuntos na área de investigação científica e técnica para o conhecimento da riqueza piscatória nas águas marítimas dos dois países, para além de melhorar a exploração e a gestão sustentável dos recursos comuns.

No domínio da educação, comprometeram-se a promover a mobilidade de professores e pesquisadores em instituições de ensino superior e em centros de pesquisa científica.

Esses protocolos representam um passo marcante no aprofundamento das relações entre Angola e o Ghana, que já haviam assinado, em 2010, o Acordo Geral de Cooperação Económica, Científica, Técnica e Cultural e o Memorando de Entendimento sobre Consultas Permanentes entre os dois Ministérios das Relações Exteriores.

Para que os mesmos diplomas não sejam "letra morta", os dois Governos decidiram convocar, para os próximos dois meses, na capital ganense, Accra, a 6.ª Sessão Bilateral de Cooperação.

A propósito desses passos, o embaixador de Angola no Ghana disse haver condições e potencial económico para os dois Estados desenvolverem, doravante, relações mais efectivas.

Augusto da Silva Cunha pediu empenho, para que a reunião da Comissão Económica Bilateral se efective de facto, dentro de dois meses, de modo a agilizar a parceria económica e as trocas comerciais entre os dois povos.  

Afirmou que os acordos rubricados em Luanda visaram operacionalizar a Comissão Mista Económica Permanente, criada em 1981, em Acra, que não reunia desde 2012.  

O diplomata informou que prosseguem contactos para a realização de um Fórum Empresarial em Angola, a fim de permitir maior conhecimento do mercado nacional, ao mesmo tempo que defendeu a criação de uma Câmara do Comércio Angola/Ghana.  

Em relação às trocas comerciais, declarou que ainda são incipientes, embora uma empresa angolana (não-especificada) já tenha alcançado um acordo para a construção de 60 mil casas de média e baixa rendas no Ghana, em 10 anos.

"O projecto está avaliado em mais de dois biliões de dólares", precisou o embaixador, sublinhando que outra empresa foi contratada para reparar equipamentos hospitalares.

Em relação ao Acordo de Supressão de Vistos em Passaportes Diplomáticos e de Serviço, fez saber que poderá ser extensivo, a seu tempo, aos passaportes ordinários, à semelhança do que acontece com outros países.  

Enquanto isso não se materializa, encorajou as missões diplomáticas a facilitarem, no máximo, a atribuição de vistos de entrada a empresários e turistas do Ghana.  

Quanto ao acordo no domínio da educação, explicou que, numa primeira fase, professores e alunos angolanos deverão ir ao Ghana estudar língua inglesa, e ganenses virão a Angola para aprender português.  

De igual modo, disse, há tentativas de aproximação das Universidades angolanas Agostinho Neto e Piaget à de Accra, fundada em 1948, e à Nkame Nkuma, também reconhecida pela Unesco, que está interessada em cooperar com instituições de Angola.  

Dados oficiais da Embaixada de Angola no Ghana indicam que, actualmente, pelo menos 30 angolanos estudam em universidades ghanenses.

Noutro domínio, o embaixador enalteceu o facto de o Ghana ter bons indicadores de crescimento económico desde 2017, devido à disciplina na aplicação das políticas económicas, sublinhando que a experiência daquele país devia interessar aos angolanos.  

Exemplificou os esforços do Governo do Ghana, tendentes a combater a pobreza e reduzir o desemprego, que passaram pelo estímulo da agricultura, garantindo meios de subsistência às famílias e à industrialização da produção.

Em relação à política e economia africanas, o diplomata considerou urgente a convocação de uma Cimeira de Chefes de Estado da Comissão do Golfo da Guiné, para estudar formas de investimento para a operacionalização e organização dos países-membros.

Afirmou que a falta de mecanismos conjuntos de controlo do mar leva os países-membros a perderem muito dinheiro, devido à pirataria, contrabando, tráfico de combustíveis, pesca ilegal e falta de segurança nas instalações económicas no mar.  

Sugeriu que a reunião de estadistas decida sobre a continuidade da Comissão do Golfo da Guiné, dotando-a de capacidade de vigilância e defesa do espaço marítimo.  

No entender do embaixador, "o que se rouba aos Estados no mar desguarnecido é muito superior ao investimento necessário para a sua protecção".  

Por isso, espera que o navio angolano de investigação marinha venha a estar disponível à investigação científica, no quadro da cooperação na Região do Golfo da Guiné.  

Assuntos Angola   Cooperação  

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