Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Saúde

14 Junho de 2018 | 11h03 - Actualizado em 15 Junho de 2018 | 17h43

Angola tem baixa média de dadores de sangue

Luanda - Doar sangue é um gesto de amor e solidariedade. É com esse acto, que milhares de pacientes superam, todos os dias, o risco de morte nos hospitais. Em Angola, com mais de 25 milhões de habitantes, o número de dadores voluntários está ainda abaixo da média.

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

1 / 1

Doadores de sangue voluntários do Banco Económico

Foto: Rosário dos Santos

Doadora voluntária de sangue no Banco Económico.

Foto: Rosário dos Santos

(Por Eurídice Vaz da Conceição)

O país precisa de cerca de 257 mil e 890 dadores por ano. Os números oficiais apontam que só 10 porcento dos dadores regulares são voluntários.

A meta do Instituto Nacional de Sangue (INS) é chegar ao fim de 2019 com mais de 300 mil dadores voluntários do produto, essencial para os serviços de transfusão.

Os dados referem que, só em 2017, aquela instituição colectou 138 mil e 142 unidades de sangue, pouco mais da metade da cifra pretendida para 2019. Grande parte do produto colectado no período em causa (90 porcento) foi de familiares dos pacientes.  

Esses números estão longe de atingir as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda que 100 porcento das doações sejam de voluntários regulares.

Segundo as estatísticas da OMS, anualmente são colhidos no mundo 108 milhões de bolsas de sangue. Apesar dos números, milhares de pacientes ainda esperam por transfusão.

O cenário agrava-se principalmente nos países subdesenvolvidos e de baixa renda, daí a organização recomendar que a percentagem de dadores de sangue em um país deve estar entre três porcento e cinco porcento da população.

Recomenda ainda que todos os países estabeleçam serviços de colheitas de sangue com base em doações voluntárias, anónimas e não remuneradas.

Angola ainda está longe das metas. Para atingir a meta proposta de pelo menos 300 mil dadores, em 2019, precisa de transformar em dador regular perto de um porcento da população de cada uma das 18 províncias do país.

Apesar do esforço, são ainda grandes as necessidades dos hospitais do país.

Para contrapor essa realidade, o INS desenvolve campanhas nacionais de incentivo à dádiva de sangue, para encorajar mais angolanos a terem o hábito da doação regular.

"O maior desafio do INS é formar uma opinião pública sedimentada em informações correctas e que as mensagens de incentivo à dádiva de sangue tenham a visibilidade necessária", expressa a directora técnica do INS, Eunice Manico.

O INS trabalha com um quadro inicial de mil e oito profissionais. É das mãos desses técnicos que se leva a cabo o incessante trabalho de recolha de sangue (uma bolsa de sangue contém 450 mililitros e pode salvar até quatro vidas).

Amor ao próximo

É com este grupo e imbuído desse espírito humanista, que o taxista Jacinto Cambolo se tornou dador de sangue, há 15 anos. O cidadão faz esse gesto, com amor e emoção.

"Sei que já salvei muitas vidas com isso e quero salvar mais. Chego a doar até quatro vezes por ano. Falo muito para os jovens sobre a importância de doar sangue. É muito bom", relata.

Os anos de doação renderam-lhe histórias emocionantes.

"Uma vez recebi um telefonema durante o trabalho, para fazer uma doação urgente. Era uma criança que necessitava de sangue, portadora de falciforme, e apresentava uma anemia severa", conta o dador.

De história em história, o taxista diz que já foi muito elogiado pelos seus gestos.

"Pude presenciar a gratidão de uma família, após ajudar a salvar a vida de uma criança. Tudo começou com um telefonema do banco de sangue. Estava a completar três meses e dois dias que eu tinha doado pela última vez. A família agradeceu-me muito e queria pagar, mas a doação é um acto voluntário e eu tenho orgulho em fazer isso", lembra.

Eliana Medeiros também já não sabe o que é viver sem salvar vidas. A doação de sangue já faz parte da sua rotina. A estudante universitária conta que a sua primeira experiência foi difícil. Mas, vencido o medo, gostou de tornar-se dadora.

"Estava bastante assustada quando sentei na cadeira e esticaram o braço para a colecta do líquido. Mas em pouco tempo perdi o medo. Tudo correu bem e não senti dor”.

Eliana tornou-se dadora voluntária quando o marido precisou de fazer uma cirurgia, em que precisaria de doação. Depois de ver que é simples, diz que quer continuar.

“Descobri que doar sangue não tem mistério. Só é preciso estar apto para a colecta. Mas é necessário consciencializar a população de que a doação tem que ser um acto habitual, contínuo, e não apenas uma situação pontual”, aconselhou.

Estigma, mito e crenças

O serviço de doação de sangue requer vontade e determinação. Mas nem todos vêm esse gesto com a mesma facilidade. Há quem morra de medo de colher sangue.

Vânia Santos, funcionária pública, não aceita doar sangue, porque teme adoecer.

“Já tive situações familiares em que precisavam urgentemente de sangue, mas por receio não consegui colaborar”, disse,  afirmando que já esteve perante muitos casos de vida ou de morte, e ainda assim não doou sangue para ajudar a salvar vidas.

“Acho que ao dar sangue poderei ficar doente ou perder todo o sangue do corpo, Por isso não encaro este desafio”, expressa.

Para pessoas com Vânia, a médica Sílvia  Santos deixa uma mensagem de encorajamento, afirmando que a doação de sangue no país ainda é cercada de "mitos".

“Infelizmente, ainda existem alguns mitos em relação à doação de sangue. Muitos não aceitam receber, porque acham que podem contrair doenças. Por outro lado, tem os que defendem os princípios religiosos contra a transfusão”, comenta.

A especialista explica que há pessoas que acreditam que, se doarem uma vez, terão de  doar sempre, enquanto outras acham que doar sangue engorda. “É preciso desfazer esses mitos e informar a população sobre os benefícios da doação”, recomenda.

Requisitos básicos

Para se tornar dador não basta a vontade de querer. Tem de haver condições de saúde.

Para quem queira fazer esse gesto voluntário, deve estar em boas condições de saúde física e mental, ter entre 18 e 65 anos de idade, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos. Precisa de pesar no mínimo 50 kg.

Outras exigências passam por ter descansado pelo menos seis horas nas últimas 24 horas, estar bem alimentado, evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação, e não ingerir de bebidas alcoólicas.

Depois da doação, o dador deve evitar esforços físicos exagerados, por pelo menos 12 horas, aumentar a ingestão de líquidos, não fumar por cerca de 2 horas, evitar bebidas alcoólicas por 12 horas, manter o curativo no local da punção por pelo menos quatro horas, não dirigir veículos de grande porte, nem trabalhar em andaimes.

De igual modo, não deve praticar paraquedismo ou mergulho.

Quem não pode doar?

Quem teve diagnóstico de hepatite após os 11 anos de idade,  mulheres grávidas ou que estejam a amamentar, pessoas que estão expostas a doenças transmissíveis pelo sangue como sida, sífilis e doença de chagas, usuários de drogas não podem doar sangue.

De igual modo, ficam impedidos os que extraíram dentes dentro de 72 horas, os pacientes com apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes, colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fracturas, politraumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia, colectomia, além dos que doaram num espaço curto de 1 ano.

Pessoas com tatuagem feita em 1 ano e vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina também ficam excluídas do leque de dadores.

Especialistas de diversas unidades sanitárias apontam a falta de conscientização da população como um dos principais limitadores para o aumento da doação de sangue.

Eles defendem que campanhas de incentivo à doação sejam feitas, desde os primeiros anos de vida, e que o assunto seja discutido nas escolas para reverter o actual cenário.

“Sem essa política, não construímos o dador do futuro. É preciso formarmos dadores com responsabilidade social, que queiram doar sangue frequentemente sem se importar com quem vai receber”, exprimiram.

Para Tadeu Afonso, da Fundação Brigada de Amigos, o entendimento de que a doação de sangue seja um acto "social e contínuo" ainda não está totalmente presente na mentalidade dos angolanos. “A doação de sangue é o processo pelo qual um doador voluntário tem seu sangue colectado para armazenamento em um banco de sangue, para um uso subsequente em uma transfusão de sangue”.

Segundo o especialista, doar sangue é um procedimento simples, rápido, sigiloso e seguro. Para o dador em geral não há riscos; embora possam surgir complicações leves, como queda de pressão e tontura, muitas vezes ligadas à ansiedade.

“Após a doação, pequenos hematomas e dores no local da picada também são raros. Os componentes do sangue doado são rapidamente repostos pelo organismo, e o normal é não haver qualquer consequência da doação”.

Assuntos Doação   Efeméride   Saúde  

Leia também
  • 15/06/2018 18:21:13

    Habitantes do Mumanga recebem assistência médica gratuita

    Camanongue - Perto de dois mil habitantes do bairro Mumanga e Saissaza, município de Camanongue, província do Moxico, beneficiaram, hoje, sexta-feira, de consultas médicas gratuitas, realizadas por especialistas da Direcção Provincial de Saúde, na sequência do cumprimento do Plano Estratégico do sector, sobre a aproximação dos serviços de saúde às comunidades.

  • 15/06/2018 15:21:10

    Governo da Lunda Sul produz panfletos sobre lepra traduzidos na Língua Tchokwe

    Saurimo - Panfletos sobre a doença da lepra traduzidos na língua nacional Tchokwe, de modos a elucidar os cidadãos que não dominam o português, foram produzidos pelo gabinete provincial da saúde (GPS) na Lunda Sul.

  • 14/06/2018 18:55:42

    Responsável da Hemoterapia aconselha à doação de sangue

    Sumbe - A responsável da Hemoterapia do Hospital "17 de Setembro" , na cidade do Sumbe, Odeth Sipinola , aconselhou hoje, quinta-feira, os cidadãos desta província, no sentido de cumprirem com todos exames necessários para poderem doar sangue , visto que doar sangue é salvar vida.

  • 14/06/2018 16:18:47

    Familiares sustentam bancos de sangue dos hospitais do Lubango

    Lubango - A falta de sangue nas principais unidades sanitárias do Lubango condiciona o normal funcionamento das áreas de hemoterapia, uma vez que as doações são sustentadas pelos familiares dos pacientes, constatou hoje, quinta-feira, a Angop, no Dia Mundial do Doador de Sangue.