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13 Janeiro de 2018 | 17h12 - Actualizado em 14 Janeiro de 2018 | 16h28

Ravinas ameaçam +engolir+ o Luena

Luena - A cidade do Luena, sede provincial do Moxico, corre seriamente o risco de ser +engolida+ por ravinas, definidas essas como sulcos ou buracos de profundidade variada, provocados pelo efeito erosivo da correnteza das águas da chuva.

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Uma ravina na cidade do Luena.

Foto: kinda kyungu

Por David José 

Uma dessas crateras, a principal, está localizada no bairro Aço, e tem cerca de 15 metros de profundidade e 30 de largura.

Ela ameaça destruir várias infraestruturas sociais e económicas, além de pôr em perigo a vida dos habitantes da urbe.

Em Novembro último, ela progrediu cerca de 20 metros longitudinais, em direcção à central térmica da cidade, da qual está agora separada por escassos 150 metros.

Quando chove, o efeito erosivo ganha protagonismo, por força da correnteza das águas pluviais que rolam sobre o asfalto, em direcção à ravina, criando várias ramificações em todos os extremos do Luena.

O extremo sul é o mais afectado, por estar banhado pelo rio homónimo. Com o declínio dos solos, a corrente das águas abre “pistas” para a perigosa corrida das ravinas, cuja “meta” é o centro da urbe.

A ameaça das cerca de 23 ravinas que circundam a cidade frustra as autoridades luenenses, que, rendidas e impotentes, já chegaram a ponderar a hipótese de transferência da sede provincial para outra área mais segura. 

O fenómeno geológico evoluiu à medida em que a cratera foi passando para o eixo da estrada nacional nº 180, atingindo maiores proporções a partir de 1989.

Em 2000, o que era um pequeno buraco transformou-se numa ravina de grandes dimensões.

O combate inglório ao ‘invasor’ dura já 30 anos, sem que se vislumbrem soluções definitivas.

O facto de ter havido uma grande avalanche de construções anárquicas, que foram obstruindo as linhas naturais de passagem da água, acelerou a proliferação de ravinas.

O fenómeno geológico é agravado pelo facto de a cidade do Luena estar implantada num terreno em declive, o que imprime maior velocidade às águas.

Com as fortes correntezas, as águas vão furando pontos de escape um pouco por todo o lado, acabando por criar uma série de ravinas ao longo de todos os bairros.

Especialistas em matérias ambientais alertam que o combate generalizado das ravinas que sitiam a antiga Vila do Luso necessita de um trabalho sério de engenharia.

De acordo com esses pontos de vista, a  contenção das ravinas no Luena e noutras partes de Angola exige uma acção combinada de amortização e estancamento das águas, o que visa diminuir a sua força e ‘obrigá-la’ a seguir o seu curso normal.

Em simultâneo, deve ser feito um trabalho com as ravinas secundárias, que ameaçam causar danos nos aglomerados populacionais.

Além disso, essas ameaçam o corte  das ligações rodoviárias do Luena aos outros municípios da província.

Existe também o imperativo de o governo criar uma estrutura que faça trabalho preventivo, cuja missão é a de atacar as pequenas erosões.

Nesse processo, é igualmente importante a  plantação de caniços, bambus e outras plantas de raízes fortes para que os taludes e determinados terrenos fiquem estáveis e não sejam fáceis de erodirem.

Essa necessidade é justificada pelo facto de os solos da maior parte do leste de Angola serem arenosos e mono-granulares, muito vulneráveis à acção erosiva das águas das chuvas.

O fenómeno erosivo, causado pela própria natureza e pela acção do homem, já se faz sentir um pouco por todo o território angolano.

Há registos de que, nos últimos 10 anos, as ravinas tenham atingido todo o país, com maior destaque para as províncias de Luanda, Uíge, Huambo, Bié, Lunda-Sul, Lunda-Norte, Moxico, Cuando Cubango e Zaire.

As ravinas são decorrentes de fenómenos naturais, resultantes da conjugação de três factores naturais, designadamente clima, relevo e tipos de solo.

Aos três factores naturais, soma-se a acção humana, traduzida na execução de obras de construção, obstrução do sistema de drenagem, exploração de inertes, garimpo de minerais, prática da  agricultura, desmatação e queimadas.

É importante reter-se que a vegetação exerce a função de conter a força das águas e dos ventos e actua como uma espécie de obstáculo, ajudando a manter a firmeza do solo.

A destruição da vegetação, através de queimadas, desmatamento e desflorestação, para a construção de estradas e casas são factores que deixam a terra exposta ao surgimento de ravinas, devido à sua fragmentação.

A alteração do sistema natural de escoamento e drenagem de águas pluviais e a criação de sistemas de irrigação artificial, urbanizações, desmatação, aterros e desaterros estão também, entre outras acções humanas que provocam a erosão da terra.

O fenómeno geológico ganha o nome de  voçoroca, que ocorre quando uma ravina atinge o lençol freático, aliado a uma erosão subsuperficial (escoamento subsuperficial), abrindo enormes buracos no solo.

E o perigo, no Luena, decorre, também, do facto de a cidade ter bem por perto um rio, que responde pelo mesmo nome.

As esperanças do Luena em travar o ‘monstro invasor’ estão depositadas nas promessas do ministro da Construção e Obras Públicas de atacar o problema.

Manuel Tavares visitou a região leste de Angola para avaliar o impacto negativo das ravinas e prometeu soluções.

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