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21 Julho de 2019 | 15h23 - Actualizado em 21 Julho de 2019 | 15h42

Portugal acolhe Bienal do Ambiente em 2020

Lisboa - A capital portuguesa acolhe, a partir de Março do próximo ano, a primeira bienal do ambiente, numa iniciativa do cidadão luso-angolano António Miguel Petchkovsky Morais, em coordenação com várias entidades oficiais, com destaque para o Projecto Cidade Verde da Europa Lisboa 2020.

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António Miguel Petchkovsky Morais

Foto: Cortesia do entrevistado

Por José Chimuco

A propósito do evento, a ANGOP conversou com Miguel Petchkovsky, em Lisboa, cidade onde reside, desde 2016, depois de ter vivido 30 anos em Amsterdão, Holanda.

Leia a entrevista integral:

O que será a primeira Bienal do Ambiente 2020 Lisboa, programada para ter lugar em Março do próximo ano?

A primeira Bienal do Ambiente 2020 Lisboa tem como propósito gerar uma reflexão inovadora de abordagem sobre as alterações climáticas globais. O seu objectivo é a articulação da investigação de novas metodologias criativas de comunicação ao grande público, onde a prática artística contemporânea interage com o discurso académico-científico - A Arte da Comunicação Científica. Será um projecto durante todo o ano, enquadrado com a programação da Cidade Verde da Europa Lisboa 2020. A Bienal prevê exposições conjuntas com artistas e cientistas ambientais, um ciclo de quatro conferências, residências de artistas e workshops. A programação prevista será a 22 de Março, 24 de Maio, 27 de Setembro e 13 de Dezembro de 2020. O Tema central desta bienal é a Água e o sub-tema a Arte da Comunicação Científica. 

Quem são os participantes?

Os participantes vêm de vários países, como a Noruega, Holanda, Rússia, Itália, Equador, Brasil, França e, naturalmente, com a participação de artistas e cientistas portugueses.

Quais são as entidades organizadoras do evento, da parte de Portugal e do resto do mundo?

Em princípio,  ainda estão para ser identificadas na sua totalidade, mas, para já, temos as parcerias com o Projeto Lisboa Cidade Verde, EPAL, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa E- Nova e Centro Cultural de Belém. 

Como e quando surgiu a ideia de organização do evento?

O conceito da Bienal do Ambiente foi inspirado na Bienal da Antárctida 2017, em que participei como artista multidisciplinar nesta expedição à Península da Antárctida, que juntou cientistas e artistas  de muitos países. Fui representar Angola, Portugal e a Holanda. 

O imperativo da preservação do ambiente é o centro da sua acção, através da intervenção social e artística. Fale deste desafio e dos seus resultados.

As alterações climáticas, num contexto global, estão a assumir proporções extremamente críticas. Neste sentido, há um urgência mundial em tentar minimizar estes efeitos, porque temos um tempo limitado para agir. Penso que todos e cada um de nós podemos dar o nosso contributo, mínimo que seja.  Neste enquadramento do conceito da Bienal do Ambiente, penso que a prática artística e criativa, em parceria directa com o discurso académico-científico, podem, efectivamente, contribuir para novas metodologias de comunicação criativa, dirigidas ao grande público, de uma forma objectiva e simplificada, de modo a que a mensagem seja mais facilmente entendida e absorvida, com vista à motivação da acção. Os resultados serão, talvez, apenas visíveis a médio e longo prazos, no sentido de educar e sensibilizar as novas gerações para preservarem um planeta onde continuarão a viver. É um processo que leva tempo.

No plano ambiental, que conselhos dá aos actores políticos angolanos e à sociedade, no sentido da preservação do ambiente?

No plano ambiental, penso que em Angola há muito por se fazer, desde a reciclagem, limpeza de lixo urbano, educação sustentável nas escolas sobre esta matéria, convidar especialistas mundiais para conferências sobre o tema, motivar a população para uma tomada de consciência  sobre a problemática do lixo urbano e poluição do Oceano Atlântico e dos rios. Enfim, há que começar por qualquer lado, mas o problema de Angola é o de ser um país muito extenso e complexo. O problema é difícil,  mas não de impossível resolução. Basta haver boa vontade de toda a sociedade, e não só dos dirigentes.  

Quando esteve, pela última vez, em Angola, e o que mais gostou de ver nessa altura?

Fiz um projecto de projeção monumental  e um workshop de vídeo-arte que foi projectado na rua Rainha N'Jinga MBande, em 2014, no Festival Nacional de Cultura (Fenacult). O que me saltou à vista foi o desenvolvimento imobiliário em Luanda, algumas infraestruturas importantes nasceram, mas, devido ao meu trabalho constante, não tive muita oportunidade de me inteirar em pleno da realidade angolana. Efectivamente, constatei  que há muito por se fazer, a todos os níveis da sociedade, com relevo especial para a educação e saúde pública, que são, a meu ver, os alicerces estruturais para qualquer sociedade mundial. Há bastantes jovens criativos e projectos culturais a acontecer, o que me deixou visivelmente impressionado, mas é necessário mais educação no sentido criativo.

Seguramente que tem acompanhado os desenvolvimentos da situação em Angola, desde que entrou em funções o novo Governo, em Setembro de 2017. Na sua avaliação, o que destaca que esteja a mudar?

Esta é uma pergunta difícil de responder, pois, como não vivo lá, é complicado opinar sobre isto à distância. O que posso dizer é que há muito por se fazer e acho que se deve investir mais em profissionais para executarem diversas acções associadas ao desenvolvimento. Acho que, a seu tempo, com a seriedade que é exigida e pragmatismo, poderemos constatar alguma evolução, mas penso que vai levar algum tempo a mudar o paradigma da sociedade angolana.  

Como vê a situação da preservação do ambiente em África e em Angola, particularmente?

Há projectos em curso em alguns países africanos, nomeadamente a tal barreira verde que está a evoluir entre o Senegal e o Egipto, que tem como foco a plantação  de oito mil quilómetros de árvores,  para se travar o avanço do deserto, cujo processo, iniciado há já 10 anos, está a avançar. Acho que se poderia fazer o mesmo na província angolana do Namibe. A maior riqueza angolana é a água, pois, segundo estudos, Angola tem um dos mais portentosos aquíferos da África Austral. Neste sentido, penso que é importante gerir seriamente este recurso hídrico, especialmente para o desenvolvimento da agricultura em zonas áridas do Sul do país.

De Andrada, na Lunda Norte, Angola, para a fixação definitiva na Europa, relate como tudo aconteceu e destaque os motivos que o levaram a fixar residência definitiva no estrangeiro.

É um história longa e várias circunstâncias de vida pessoal me levaram a fixar residência na Holanda, durante 30 anos, e, agora, desde 2016, em Lisboa.

Com base na sua experiência, que conselhos dá aos jovens angolanos, no sentido de lutarem pelos seus objectivos, com dedicação, sacrifício e empenho totais?

Exactamente isso. Dedicação, sacrifício, acreditarem nas suas capacidades, perseverança, disciplina e terem em conta que as coisas não acontecem de um dia para o outro, tudo leva mais tempo na vida do que pensamos.

Algo mais que queira destacar em relação à sua luta e a Angola?

Estaria disposto a ir a Angola dar uma conferência sobre a minha experiência nesta matéria, que é bastante modesta, mas posso dizer duas palavras juntas do que tenho aprendido e continuo a aprender. 

O protagonista

Nascido a 17 de Novembro de 1956, em Nzagi, antiga Andrada, na província angolana da Lunda Norte, António Miguel Petchkovsky Morais reside na cidade de Lisboa, Portugal, desde 2016, depois de ter vivido durante muito tempo em Amsterdão, Holanda.

É neto de um cidadão russo, Micahel Petchkovsky, que era geólogo e que se refugiou na Bélgica, depois da revolução russa de 1917.  Da Bélgica, rumou para a Lunda Norte, Angola, onde se colocou ao serviço da então DIAMANG, hoje ENDIAMA.

Da união de Micahel Petchkovsky com uma angolana, de nome Bilonda, nasceria Maria Helena Petchkovsky, que, mais tarde, viria a contrair matrimónio com o cidadão português Joaquim Marques Morais, pais de Miguel. 

Curador internacional das artes ligadas à media, é pintor, estudou em Luanda e Lisboa, e foi realizador de documentários no Instituto Angolano de Cinema, entre 1980 e 1985.

Enquanto realizador, Miguel Petchkovsky rodou, em 2009, um documentário sobre a vida e obra do escritor José Luandino Vieira, quando esteve desterrado e preso no Campo de Concentração de Tarrafal, na cabo-verdiana Ilha de São Tiago.

Em 1997, foi convidado a fazer um curso de artes  visuais na Academia Gerrit Rietveld, em Amesterdão, Holanda, onde tirou o mestrado de artes visuais  e multimédia. 

Desenvolveu   trabalho na Holanda como artista e curador e fez exposições em cerca de 20 países.

Como curador e orador em palestras sobre os novos media e arte contemporânea no espaço público, iniciou também a prática de vídeo arte em vários países de África, como Nigéria, Angola, Moçambique e Camarões.

Realizou curadorias em festivais internacionais, em vários países de África, Europa, América e Ásia.

Trabalhou com várias instituições Holandesas,  como a Fundação Mondriaan, Prince Claus Fund, Fundação BKVB, Fundação HIVOS, Instituto Holandês dos Novos Media NIMK e é membro do Antarctic Bienale Vision Club (ABVC).

Está representado em várias  colecções  privadas na Holanda, França, Brasil  e  instituições  em Portugal, como a Culturgest CM da Amadora, Fundação Pro Justitiae.

Membro da APECS Internacional (Agência Polar) e membro da Antarctic Biennale Vision Club (ABVC), participou na primeira bienal da Antárctida, representando Angola, Portugal e a Holanda.

Presidente da Associação Bienal o Ambiente (ABA) e director artístico da primeira Bienal do Ambiente 2020, programada para ter lugar em Março do próximo ano, em Lisboa.

Intensa actividade pelo mundo

Do seu percurso profissional, destacam-se, entre outras, as seguintes acções e intervenções:

  • Palestrante nos Encontros de Ciência e Tecnologia,  em Lisboa, em 2018, com o tema “O aquecimento Global e a Arte da Comunicação Científica Ambiental”.
  • Palestrante na Conferência Internacional "O Mar no Século XX", com o tema “A Arte da Comunicação Científica Ambiental”, Universidade Nova de Lisboa.
  • Palestrante sobre o tema "A Antárctida e o Aquecimento Global" (Biblioteca Municipal de Loulé, Portugal).
  • Palestrante no Ciclo de Cinema sobre o Tarrafal, Museu do Aljube, Lisboa.
  • Curador na conferência "The Dark Paradise on Crystal Waters / Paul Rosero Contreras", Sociedade Nacional de Belas Artes SNBA, Lisboa 2019.
  • Palestrante convidado sobre o tema “A arte e as novas tecnologias”, no Marylhurst University, Portland/Oregon, USA.
  • Palestrante convidado sobre o tema "The immersive Showcase” (cinema sem ecrã) Pacific Northwest College of Art /PNCA, Portland/Oregon, USA.
  • Palestrante convidado sobre o tema  "Os Novos Media na Holanda", Hollywood Theatre, Portland/Oregon, USA.
  • Palestrante convidado sobre o tema "Connecting La Havana (arte digital e o espaço público urbano), Lewis & Clark University, Portland/Oregon, USA.

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