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30 Maio de 2020 | 18h57 - Actualizado em 30 Maio de 2020 | 18h57

Dor e saudade no último adeus a Dom Óscar

Benguela - Num ambiente carregado de dor e emoção, os restos mortais do bispo emérito da Diocese de Benguela, Dom Óscar Braga, falecido no dia 26 de Maio, vítima de doença, foram sepultados hoje, sábado, no cemitério da Camunda.

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Benguela: Funeral de Dom Óscar Braga

Foto: António Lourenço

Benguela: Funeral de Dom Óscar Braga

Foto: António Lourenço

Antes de a urna descer à modesta sepultura, curiosamente ao lado do sepulcro onde repousam os restos mortais da escritora angolana Alda Lara, falecida em 1962, momentos de oração e adoração a Deus preencheram a cerimónia, orientada pelo bispo da Diocese de Benguela, Dom António Jaka.

Durante o cortejo, que durou cerca de três horas, houve paragens em frente à casa onde Dom Óscar Braga morou, na Paróquia da Nossa Senhora do Pópulo e no bispado, onde esteve durante 33 anos, antes da chegada do carro funerário ao cemitério da Camunda, com uma bandeira do Vaticano.

Num gesto simbólico e de gratidão, mais de três mil escuteiros, com trajes típicos do Escutismo, escoltaram o cortejo nas principais ruas e avenidas de Benguela, onde uma multidão, entre cânticos, choros e muitas flores, se despedia de Dom Óscar Braga, com rostos carregados de dor e saudade.

O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e arcebispo de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias, o bispo da Diocese de Saurimo, Dom Manuel Imbamba, e o secretário da Nunciatura Apostólica em Angola, o italiano Michele Tutalo, assistiram ao funeral, bastante restrito ao clero da Igreja Católica, aos membros do governo, dos partidos MPLA e UNITA e representantes de várias denominações religiosas, devido às medidas de prevenção contra covid-19.

O Presidente da República, João Lourenço, fez-se representar no acto pela secretária para os Assuntos Sociais, Fátima Viegas, a primeira entidade a depositar uma coroa de flores no túmulo de Dom Óscar, seguida do governador provincial de Benguela, Rui Falcão, e outras figuras públicas presentes no funeral.

Na sua intervenção, Dom António Jaka enalteceu a dedicação do malogrado em prol dos sacerdotes e, por isso, pediu orações para o repouso da sua alma.

Também agradeceu o empenho pessoal do governador de Benguela na realização das exéquias oficiais, mas ao mesmo tempo lamentou que, por causa da covid-19, os fiéis não puderam entrar no cemitério da Camunda, apesar da emoção que sentiam.

Trasladação para Sé Catedral

Ao fim de 1025 dias, em média, o corpo de Dom Óscar Braga será exumado e trasladado para uma nova cova no interior da Igreja da Sé Catedral, à semelhança de Dom Armando Amaral dos Santos, primeiro bispo da Diocese de Benguela, entre 1970 e 1973, cujos restos mortais repousam no mesmo local.

Segundo o bispo Dom António Jaka, ainda se vai aguardar pelo tempo previsto (em média três a cinco anos) para fazer a trasladação do corpo de Dom Óscar para a Sé Catedral, onde irá descansar definitivamente, como é costume da Igreja Católica.

Filho de pais portugueses, José António Braga e Aldina Lopes Fernandes, Dom Óscar Lino Lopes Fernandes Braga nasceu em Malanje, a 30 de Setembro de 1931. Depois dos estudos liceais em Malanje e da formação agrária em Portugal, Óscar Braga regressou para Angola e exerceu a profissão de regente agrícola na sua terra natal até 1958, ano em que entrou para o Seminário Maior dos Olivais, em Lisboa.

É ordenado sacerdote a 26 de Julho de 1964 e passa a exercer várias actividades na diocese. É nomeado monsenhor pelo Papa Paulo VI, ao mesmo exerce o cargo de vigário geral da Diocese de Malanje até à sua nomeação episcopal, a 20 de Novembro de 1974, tendo sido o segundo bispo da Diocese de Benguela, de 1975 a 2008, sendo sucedido pelo cardeal Dom Eugénio Dal Corso.

Entre os feitos de Dom Óscar Braga, destaca-se a ordenação de mais de 300 padres e dos bispos José Nambi, Mário Lukundi e Emílio Sumbelelo, a reestruturação dos movimentos diocesanos, entre os quais a Promaica, ala feminina da igreja Católica, e a pastoral juvenil da criança.

Dom Óscar Braga, o apelidado bispo do povo, morreu terça-feira, aos 89 anos, no Hospital Geral de Benguela, na sequência de uma paragem cardiorrespiratória.

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