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18 Setembro de 2020 | 18h58 - Actualizado em 18 Setembro de 2020 | 18h57

Covid-19 limita "Amigos da Picada"

Lobito - Alguns hospitais de Luanda e de outras províncias do país deixaram de receber as habituais ?sopas solidárias? da Associação de Motociclistas ?Amigos da Picada?, devido as limitações de circulação impostas pela pandemia da Covid-19.

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Julio Silva - um dos motoqueiro dos Amigos da Picada, grupo que se vê impossibilitado de realizar acções filantrópicas devido à covid-19

A informação foi avançada hoje, sexta-feira, no Lobito (Benguela), pelo seu presidente de direcção, Lílio Almeida, salientando tratar-se de 300 sopas, acompanhadas de pão e bolachas em cada edição, para cada hospital, nos últimos três anos consecutivos.

O líder da organização exclareceu que esta acção filantrópica tem sido feita com fundos próprios, através da quotização dos seus 206 membros. Contudo, disse, conta-se, às vezes, com o patrocínio da empresa Agrolíder, em termos de legumes para confeição da referida “merenda”.

“O nosso foco é a área de pediatria desses hospitais. Normalmente, a aproveitamos o dia 1 de Junho, bem como o Natal para oferecer refeições a crianças e levar também alguma alegria a famílias carenciadas, com a entrega de vários presentes”, enfatizou.

Lílio Almeida sublinhou, a propósito de acções de caridade, que a sua organização tem feito a entrega de cadeiras de rodas para pessoas deficientes, sempre que lhes chega um pedido de tal natureza.

Na província de Benguela, o grupo empreendeu algumas acções do género, bem como a entrega de materiais de construção para ajudar a levantar as estruturas de uma igreja.

Neste interregno, imposto - desde Março - inicialmente pelo Estado de Emergência e agora pela Situação de Calamidade Pública, o grupo está a pensar em alternativas para compensar, nesta altura de impossibilidade de se entrar nos hospitais devido à pandemia.

Turismo dentro e fora do país

Em relação ao turismo, Lílio Almeida contou que os “Amigos da Picada” têm feito um trabalho de promoção da imagem do país, principalmente das zonas mais recônditas, atravenssando o país de motorizada, através de expedições prolongadas que incluem mulheres.

“Pensamos que, em termos de paisagens naturais, Angola não fica a dever a nenhum outro país”, afirmou o presidente.

Quanto aos constrangimentos encontrados durante os percursos das viagens, discriminou alguns, como estradas intermitentes, caracterizadas por vários buracos, falta de sinalização nalgumas delas e a travessia de animais que as vezes causam acidentes.

”Já fizemos 50 quilómetros num dia, nalgumas zonas, assim como 500 quilómetros (km) em igual período de tempo noutras”, afirmou Lílio Almeida, fazendo um retrato do estado da rede de estradas do país.

Quanto às experiências no exterior, contou que as excursões iniciaram em 2006 com a primeira “aventura” de moto a Namíbia.

O grupo já visitou cerca de 15 países africanos, com destaque para a Guiné Equatorial e o Gabão, durante o período do CAN de futebol de 2012 e a África do sul, no CAN2013, onde prestaram grande apoio à selecção angolana, segundo o presidente da Associação de motociclistas.

No concernente aos "Rides"  (passeios) dentro de Angola são normalmente programados de 1 a 11 de Novembro de cada ano, enquanto que os internacionais são entre Julho e Agosto.

Procedimentos do grupo

Referindo-se aos procedimentos internos, Lílio Almeira apontou a disciplina e organização como principais elementos para consistência do grupo, porquanto, o cumprimento rigoroso das regras de trânsito e a convivência social constam das principais regras dos seus estatutos.

Segundo ele, as viagens são feitas em caravana e é indicado um líder, que normalmente domina a rota, para determinar a velocidade da marcha, paragens e outros factores, no âmbito das acções preventivas.

Para compensar os períodos de  ausência, o grupo realiza mensalmente uma actividade denominada ”Café da Picada”, onde interagem com a família e os “motares” (outros motociclistas adeptos da associação).

Os “Amigos da Picada” existem desde Agosto de 2006 e estão representados  nas províncias de Luanda, Benguela, Cabinda, Huambo e Huíla, como demonstranção de um projecto nacional, patriótico e inclusivo.

Carateriza-se pelo uso de motorizadas de várias marcas, como BMW, KTM, Honda, Yamaha, Kawasaki, entre outras, com cilindrada a partir dos 650 centímetros cúbicos, por serem mais robustas e menos propensas a avarias, de acordo com Lílio Almeida.

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