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09 Agosto de 2020 | 17h40 - Actualizado em 09 Agosto de 2020 | 18h34

"Sucatas de Angola" aposta na melhoria da salubridade em Benguela

Benguela - Cerca de 30 toneladas de sucata diversa, maioritariamente de viaturas, estão a ser processadas diariamente pela empresa "3Z Sucatas de Angola", localizada na zona sul da cidade de Benguela (Uchi), melhorando a qualidade do meio ambiente, particularmente na limpeza e salubridade.

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Benguela: João Baptista Huvi, ambientalista

Foto: Carlos Benedito

Benguela: José Bettencourt, sócio-gerente da 3Z Sucatas de Angola

Foto: Carlos Benedito

Essa informação foi avançada, neste domingo, à imprensa, pelo sócio-gerente do referido complexo industrial, José Bettencourt, referindo que, actualmente, terem sido diminuidos os amontoados de sucatas em diversos pontos do município de Benguela e arredores, fruto do reaproveitamento dado a esse material.

“Actualmente, já não se vê sucatas espalhadas pela cidade de Benguela e não só, fruto do nosso trabalho, que tem um grande impacto sobre o ambiente”, destacou

Segundo José Bettencourt, o material ferroso processado tem como destino três siderurgias de Luanda.

Implantado num espaço de 10,8 hectares de superfície, o complexo resulta de um investimento de um milhão e oitocentos mil dólares do Programa Angola Investe, do Executivo angolano, financiado pelo banco BIC, além de outros 500 mil dólares de recursos próprios de três accionistas angolanos, dois do Lubango (Huíla) e um de Calulo (Cuanza Sul).

O gestor indicou que, para concretizar este projecto, a empresa investiu na aquisição de equipamento de origem europeia, designadamente uma trituradora e compactadora Louritex e outros meios mecanizados para o corte da sucata, em substituição dos habituais cortes por maçarico, mais onerosos e nocivos ao ambiente.

José Bettencourt referiu que pretendem ampliar a actuação da empresa nas províncias da Huíla, onde esperam instalar uma filial na cidade do Lubango, e do Huambo, embora lamente o actual estado das vias que interligam as províncias.

“Não tem sido fácil transportar toneladas de carga de sucatas em camiões, com as estradas que temos pelo país”, lamentou.

A ideia, acrescentou, é retirar sucatas de várias localidades, desde que negociado com os detentores, lembrando que a empresa também compra à porta, sempre que o cliente o possa transportar.

Em relação ao preçário, apontou para a tabela de preços que vai dos cinco kwanzas a 150 por cada quilograma, enquanto a sucata varia entre material ferroso (ferro fundido, carcaças limpas, ferros grossos e o carril de comboio) e o não ferroso (alumínio, cobre, bronze e as baterias automóveis).             

A Angop apurou que, por cada carga de 30 toneladas que envia às siderurgias de Luanda, a empresa pode facturar até cerca de um milhão kwanzas, fruto da qualidade do produto enviado.

Regra dos três R's do ambiente


O professor universitário e engenheiro do Ambiente, João Baptista Huvi, convidado a comentar a actividade da empresa “3Z”, admitiu que, com este projecto, a província de Benguela está a aplicar a regra dos três R's do sistema ambiental, tendo em conta o processo de funcionalidade - Recolha, Reciclagem e Reutilização de material ferroso em grande escala.   

Ao avaliar o impacto daquela que é considerada a primeira unidade de recolha, reciclagem e reutilização de resíduos sólidos metálicos, em grande escala, a nível do país, o especialista em ambiente enalteceu o impacto económico da unidade industrial, nomeadamente por via da empregabilidade de jovens nacionais, nomeadamente 12 fixos e mais cinco eventuais diariamente, além do reaproveitamento dos resíduos sólidos, antes tidos como lixo, mas agora comercializáveis.

Do ponto de vista ambiental, frisou, a empresa aplica as duas fases dos “três erres” (3 R's), ou seja, a recolha, reciclagem e a consequente reutilização, o que não era praticável há algum tempo a esta parte.

Para seu agrado, sublinhou o ambientalista, além da perspectiva económica, esta unidade de processamento cumpre e valoriza principalmente o lado ambiental, o de “reutilização dos resíduos sólidos, cujo impacto tem sustentabilidade no ecossistema, já que, se expostos a céu aberto, no subterrâneo ou ainda em qualquer zona vadia, podem, em algum momento, degradar os solos, afectando a biodiversidade local, regional e mesmo as águas superficiais e subterrâneas, entre outras consequências nefastas.

Por se tratar de material ferroso, segundo o engenheiro do ambiente, carrega consigo elementos químicos, já que são metais pesados, daí a sua acção nefasta contra a biodiversidade e o meio ambiente em si.

Entretanto, o ambientalista admitiu que, unidades como esta, devem reger-se de instrumentos jurídicos suficientemente cautelosos, tendo em conta que a origem destas sucatas é diversificada, mormente aquelas abandonadas ao longo das vias e em épocas de conflito armado que, do seu ponto de vista, deveriam merecer um outro processo de reaproveitamento ou requalificação, servindo a história e a memória colectiva.

Todavia, sublinhou, “se nós não tivermos em conta determinadas regras adequadas de exploração destas sucatas, corre-se o risco de danificar aquilo que concorreria para a preservação da protecção do património histórico do país”.

Como exemplo, indicou que as sucatas abandonadas em grandes zonas de batalhas podem ser aproveitadas para servirem fins turísticos, tanto de cidadãos nacionais, como estrangeiros que visitam as distintas regiões, cujos escombros devem ser requalificados para fins públicos e colectivos, incentivando o chamado turismo “escuro”, ao contrário da ideia que se tem de “pura recolha e reciclagem”.           

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