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17 Outubro de 2020 | 19h28 - Actualizado em 17 Outubro de 2020 | 19h28

Produção inapropriada de carvão periga Polígono Florestal do Alto Catumbela

Benguela - O abate inadequado e a queima de árvores (eucaliptos e pinheiros) para produção de carvão no interior do Polígono Florestal do Alto Catumbela, no município da Ganda, província de Benguela, colocam em risco a sua prevalência, considerou hoje o ambientalista Silvano Levy.

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Benguela: Silvano Levy, Ambientalista

Foto: Carlos do Rosário

Benguela: Restos da produção de carvão no Poliígono Florestal

Foto: Carlos do Rosário

Segundo o especialista, que falava à imprensa, a propósito do desmatamento de uma zona de mais de 30 hectares no interior do referido polígono, onde pessoas não identificadas estão a produzir carvão, o aproveitamento dos recursos madeireiros não é mau, mas deve ser feito de forma sustentável e correcta.

Caso não seja feito o repovoamento florestal dessas zonas, alertou, haverá desequilíbrio no ecossistema.

“É preciso adequar a exploração do polígono, com o devido repovoamento ou reflorestamento nesses e outros locais, para que haja equilíbrio ambiental e se proteja a fauna e a flora”, enfatizou.

Quanto à produção de carvão, o ambientalista disse que deve ser em locais apropriados, em fornos próprios, que respeitem os princípios e legislação ambiental.

Silvano Levy defende ser necessário fazer a representatividade desse polígono, como um património florestal rico em sustentação ambiental e depois promover a indústria madeireira.

“A sua má exploração e adequação, assim como a não plantação de novas árvores para garantir a sua preservação é grave”, relata.

Recordou que existem critérios para que se explore esse material lenhoso madeireiro. Primeiro, acrescenta, os sectores do Ambiente e da Indústria devem assegurar o licenciamento dos exploradores de madeira e definir as regras, para se minimizar os impactos dessa exploração.

“Se isso não acontecer, podem ocorrer queimadas em torno do manto florestal de eucaliptos e pinheiros, que quando não são bem cuidados fazem uma grande condução do combustível”, referiu.

Na mesma senda, considera ser necessário maior fiscalização das acções dessas empresas e que os técnicos dessa área tenham as condições necessárias para trabalhar.

“O Instituto de Desenvolvimento Florestal, a nível do país, não tem sequer técnicos nem meios para fazer a devida fiscalização”, lamenta.

O ambientalista é de opinião que haja mais divulgação da legislação ambiental, através da realização de seminários e palestras, para que seja do domínio dos vários intervenientes, com realce para as autoridades locais e tradicionais.

“Só assim, a consciencialização das pessoas em relação ao aproveitamento dos recursos madeireiros será perfeita e o repovoamento conducente”, concluiu.

Entretanto, o chefe do departamento provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), Eugénio João, disse que a produção de carvão naquela localidade é ilegal, pois, os indivíduos que exercem essa actividade não têm autorização para o efeito.

Na mesma senda, referiu que a exploração de madeira obedece a vários critérios para obtenção de uma licença e que a província de Benguela não a emite.

“Aqui só temos o programa de limpeza nos polígonos florestais, o que cria constrangimentos, pois existem indústrias e pequenas indústrias, como serrações, que precisam dessa licença. Não sendo possível emitir aqui, alguns enveredam pelas transgressões”, considera.

Para contrapor essa ilegalidade, o IDF tem dialogado com os diversos actores, informando-os sobre a legislação florestal e protecção ambiental, e, sempre que necessário, aplica as devidas multas.

“As alterações climáticas estão intrinsecamente ligadas à acção do homem, à falta de sustentabilidade na exploração dos recursos florestais”, recordou.

O Polígono Florestal do Alto Catumbela foi criado para alimentar de matéria-prima a antiga Companhia de Celulose e Papel de Angola (CCPA). Constituída por escritura lavrada a 1 de Abril de 1955, a CCPA foi oficialmente autorizada a instalar a sua indústria em Angola a 17 de Abril de 1957.

Numa primeira fase, pretendia-se atingir uma produção nominal de 60 ton./dia de pastas e de 25 ton./dia de papéis diversos.

Os atrasos, dificuldades e imprevistos foram muitos e só no final de 1961 conseguiram produções experimentais. Em 1963, o volume da produção de pasta não tinha chegado a 80 por cento da capacidade de produção da máquina. No que se referia a papéis, nem aos 15 por cento se tinha chegado.

Em 1964, após empréstimos contraídos no mercado financeiro, falava-se em acabar com uma das mais extraordinárias experiências de fixação interior de populações. A situação arrastou-se até que, em 1967, foi apresentado aos grandes accionistas um estudo de rentabilização, preconizando a ampliação da produção de pasta para 110 ton./dia, seguida de nova ampliação para 400 a 500 ton./dia. Foram encomendados imediatamente os equipamentos necessários e, em 1969, os objectivos iniciais tinham sido cumpridos.

O maior complexo industrial da província de Benguela produziu até 23 de Março de 1983, altura da sua paralisação total devido ao conflito armado, papéis diversos, pasta branqueada, semi-branqueada, crua, embalagens de Kraft, cimento, farinha trigo, milho, arroz, sal, rações, cartolina diversas, mata-borrão, sacos e saquetas que serviram para comercialização no mercado interno e externo.

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